quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Que no último dia oficial de setembro chove fino e o ar frio gelando o rosto não é o que as pessoas estão acostumadas a chamar de primavera.
O nublado, ainda assim, é indescritívelmente aconchegante. Clichê o suficiente pra me despedir do mês que sempre é turbulento todos os anos.
Acho que é pra mim. Porque o universo me mima, às vezes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Existem dias de frio
Não o frio dos invernos
mas da ausência
de teus braços ternos
que me aqueciam.
Dias assim
existem em mim...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada um,
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

 PESSOA, Fernando. Assim como ele, eu.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Nunca Mais

E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai
Se esvai.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Neste final de inverno
vejos as folhas secas
serem arrastadas na enxurrada.
Rumam ao nada

Fosse em Paris seria charme...

Mas aqui às dezoito horas
de um dia chuvoso de agosto
no sul brasileiro,
sou puro desespero!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Questiona Charlie brown em uma das tiras dos Peanuts:"Mas o amor não existe para fazer a gente feliz?"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Encontrei num álbum da Marisa Monte, Rose and Charcoal de 1994, uma faixa em que ela canta Pale blue eyes, famosíssima música do Velvet underground.
Que mistura inusitada!
Sou fã de ambos e não tenho preferência por nenhuma versão; meu registro é para vocês perceberem que Lou reed também encantou Marisa, que por conseguinte 'tem muito dele' no jeito de cantar, reparem. Procurei no you tube, mas só achei uma vídeo tosco. Confira aqui a levada que ela pôs na canção.

domingo, 16 de agosto de 2009

Noites claras, às claras

Às vezes acordo no meio da noite e passeio silenciosamente pela casa adormecida. Com as luzes apagadas tomo cuidado para não acordar os móveis, as cortinas, o espelho, os livros na estante, os quadros. 

A foto no porta retrato descansa de seu sorriso e também dorme... Nem sei se consegue me ver de sua moldura envolta em sombras, em cima do aparador. 

Apenas uma coisa me viu, o relógio que continua desperto em sua insônia eterna. Embora não consiga ver as horas, ouço o pulsar impaciente dos segundos a me avisar que o futuro não demora.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Caixa de Supermercado

Quando trabalhei numa loja de cosméticos morria de rir pensando em como a pessoa iria usar os produtos que comprava.
É sério, a maioria das pessoas leva tudo trocado, misturado, pela metade. Cosmético é uma alquimia e elas esquecem disto. Esquecem e jogam na cestinha tudo quanto é coisa que está dentro de um frasco colorido e brilhante. Saem de lá felizes e saltitantes, loucas para chegarem em casa e ficarem, sinto muito, carecas.
Porém, se eu fosse caixa de supermercado, iria rir muito mais. Veja só, eu já vi gente passando no caixa ao lado ao que eu estava, com uma cestinha um tanto quanto inusitada. Havia - até onde pude ver - cola em bastão, papel higiênico, refrigerante de uva, farinha de trigo, pimentões verde e amarelo, e batom rosa fúcsia. O cliente era homem.
Os produtos não se combinavam e não são do tipo que fazem parte de uma compra rotineira, com exceção do papel higiênico. O que ele planejou com estes itens??
Se eu trabalhasse em um caixa de supermercado, iria me divertir imaginando o que aquele ser, que faz compras às 23h da noite de uma terça feira, vai fazer com o que comprou.
Não sei por que diabos, caixas de supermercado nos olham com aquela cara mau humorada se há tanto para rir.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Explode em ti
uma sede de liberdade que me fascina
Sopro de vida
luz que cintila, lantejoula
purpurina
Fugaz como um desejo
talvez me mate
talvez me salve
o veneno do teu beijo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mozart

" O teólogo protestante Karl Barth brincava dizendo que os anjos, quando estavam diante de Deus, tocavam Bach. Mas, em suas reuniões particulares, tocavam Mozart."
Rubem Alves acrescentou: E Deus escutava atrás da porta.

sábado, 23 de maio de 2009

Devia ter algum guichê aonde a gente possa ir e dizer "Toma aqui de volta, ó, moço. Não sei o que fazer com isso não. Já deu. Guarda essa coisa pra quem sabe o que quer. Credo."

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Utilização ampla e irrestrita do ctrl+alt+del

Computador não é o único a dar pau. O celular, por exemplo, com o uso diário e alguns tombos, apresenta problemas no visor e certas teclas, principalmente a do número 3, teima em desobedecer. Trava tudo! Solução: ctrl+alt+del nele.
Serio bom também para forno microondas, controle remoto de pilha fraca, mp3, caneta falhada e até tesoura que não corta.
Mas bom mesmo seria se homem viesse com ctrl+alt+del. O cara estava indo tão bem e, de repente, age de maneira inesperada, fica lento, parece que está com muitos programas abertos ao mesmo tempo. Ele só pode estar precisando de um ctrl+alt+del.

terça-feira, 19 de maio de 2009

"Foi curioso não chorar sabe? Acho que alcancei a glória dos desesperados!"

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Encarno-me nas frases voluptuosas e ininteligíveis que se enovelam para além das palavras, não há palavras... é um silêncio que se esvai no sutil entrechoque dos corpos...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

aí eu vou te contar

Me apunhalas com lenta delicadeza, deixando claro que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és...
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos
Porém, mesmo assim verifico que, tantas vezes triste, tantas vezes descontente, estou sempre alegre; Ignorando fatos tão persistentes.

*Obrigada ao espectador, mas lembre-se que "espectar" demais pode motivar uma decepção.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"A toda hora rola uma história
Que é preciso estar atento
A todo instante
Rola um movimento
Que muda o rumo dos ventos."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Não é babela

Sabe aquela história de a gente só se sentir completamente feliz quando todos que amamos também estiverem assim como você? isso não é balela!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"Não tenho nada a declarar sobre esse assunto.
Não o via há quase 2 anos.
Só posso dizer que ele...
Não, não tenho nada a comentar.
Boa tarde."

sábado, 11 de outubro de 2008

Eu: Mas pra onde você sai? Fim de semana, tal...?
Ser Humano: Por que, isso é um convite?
Eu: Oi?
Ser Humano: Porque se for, eu aceito.
Eu: Hã?
Ser Humano: Sábado à noite tá bom pra você?
Eu: Hein?

Ô meudeus, ô meupai.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Os dois estão convencidos de
que foi um sentimento súbito o que os juntou.
É bela uma certeza como essa,
Mas é mais bela a incerteza.

Acham que por não se terem conhecido antes
nunca houve nada entre eles.
E o que diriam as ruas, escadas, corredores,
Onde há muito podiam se cruzar?

Queria perguntar-lhes
Se não se lembram -
Na porta giratória talvez
Um dia cara a cara?
Em meio à multidão um 'com licença'?
No telefone a voz - engano?
- mas conheço sua resposta.
Não, não se lembram.

Ficariam surpreendidos de saber
Que já faz tempo
O acaso brincava com eles.

Não preparado ainda
a transformar-se para eles num destino,
aproximava-se e os afastava,
cortava-lhes o caminho
e, abafando a gargalhada,
saltava para o lado.

Houve sinais, signos, só que ilegíveis.
Talvez há três anos atrás
ou na terça-feira passada
certa folha voou
de um ombro para o outro?

Houve maçanetas e campainhas,
em que antes
já o toque se punha no toque.
As malas lado a lado no depósito de bagagem.
Talvez, numa certa noite, o mesmo sonho
Apagado imediatamente depois de acordar.

Pois cada princípio
é apenas uma continuação,
e o livro de eventos
sempre aberto no meio.

Wisława Szymborska


Lembra quando falamos disso? Encontros do acaso perdidos no espaço, sem nem imaginar o que havia por vir...
Tudo há de ser como é. Não, não falo de destino. Mas de momento, as coisas acontecem no seu melhor momento!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Vocabulário

Ora bolas, meu amigo, o tempo passa
E a gente acaba ficando para trás.
As expressões do tempo do onça estão caindo.
Hoje ninguém mais arrebenta a boca do balão.

Macacos me mordam, até pouco tempo atrás
Todos eram serelepes e escreviam tudo tinindo.
Pelas barbas do profeta, é o fim da picada,
Hoje nada mais é supimpa como antes.

Se não visse com meus próprios olhos, não acreditava,
Mas hoje ouço cada coisa estapafúrdia que nem imagina.
Um colosso de gente falando dialetos estranhos.
Acho que vou tirar minhas barbas de molho.

Tenho saudades de mil novecentos e guaraná de rolha.
Dizem que é a tal da globalização que fez isso.
Vamos fugir para onde Judas perdeu as botas,
E lá ainda vamos ser o ó do borogodó.

Por obséquio, gostaria de falar só mais uma coisa:
Vai ser batata, você vai ver, e eu também quero ver
O que vai acontecer com nosso vocabulário agora.
Sem chorumelas, bacana, só podemos morrer de rir.

Davi Drummond
Pintassilgo - Poemas e Poesias - 2006

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Considerações

Aproximei-me tão mansamente
como deve acontecer,
apesar da dificuldade
em fazer as coisas assim
sutilmente.
Quase não fui percebida
de tão constrangida e temerosa.
Tratei de esmaecer meu tom de rosa
e só insunuar
em vez de convencer.
Não foi proveitoso manter
essa imagem tão pequena
e aí me rebelei:
foi então que escrevi,
compus
e me indispus
com os ditames da lei;
aquela que diz
que pra ser feliz
é preciso ser ralo e difuso
e qualquer abuso
lhe amassa o nariz.
Perdi o juízo.


Calçada de verão, 1989: p.89
Flora Figueiredo me desnudou parte da alma nestes melodiosos versos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

" Estou sozinha se penso que tu existes.
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança..
E igualmente sozinha se tu não existes
De que me adiantam poemas ou narrativas
Buscando aquilo que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e nomenclaturas
naquelas não evidências da matemática pura?
É preciso conhecer com precisão para amar?
Não te conheço
Só sei que fico afastada de uns fios de conhecimento, se não tento
Estou sozinha, meu Deus, se te penso..."

Hilda Hilst, em Poemas malditos, gozozos e devotos

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, mas que elas vão sempre mudando.


João Guimarães Rosa

sábado, 6 de setembro de 2008

Enrolei

Enganei e fui embora
Dói agora.
Pulsa aqui o ácido
ciúme líquido que corrói
jorrando no músculo cardíaco flácido
Sístole
Diástole
alternam-se tortuosamente também
com a corrosiva contração

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Porra, gastaram toda a alegria sem cautela.
As coisas começaram a mudar bruscamente, ou eu mudei demais. É o cansaço que o corpo sente mesmo estando disposto, as mãos fracas e a cabeça constantemente em queda.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Olhos fechados, dorso da mão esquerda sobre a testa. É esse silêncio que me mata.
Depois da terceira noite de insônia, eram seis da manhã, quando arregalei os olhos e me dei conta do único remédio, você.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada