Que no último dia oficial de setembro chove fino e o ar frio gelando o rosto não é o que as pessoas estão acostumadas a chamar de primavera.
O nublado, ainda assim, é indescritívelmente aconchegante. Clichê o suficiente pra me despedir do mês que sempre é turbulento todos os anos.
Acho que é pra mim. Porque o universo me mima, às vezes.
É só achismo e nada mais que isso. Levar a sério pode causar gastrite e mau-humor...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Encontrei num álbum da Marisa Monte, Rose and Charcoal de 1994, uma faixa em que ela canta Pale blue eyes, famosíssima música do Velvet underground.
Que mistura inusitada!
Sou fã de ambos e não tenho preferência por nenhuma versão; meu registro é para vocês perceberem que Lou reed também encantou Marisa, que por conseguinte 'tem muito dele' no jeito de cantar, reparem. Procurei no you tube, mas só achei uma vídeo tosco. Confira aqui a levada que ela pôs na canção.
Que mistura inusitada!
Sou fã de ambos e não tenho preferência por nenhuma versão; meu registro é para vocês perceberem que Lou reed também encantou Marisa, que por conseguinte 'tem muito dele' no jeito de cantar, reparem. Procurei no you tube, mas só achei uma vídeo tosco. Confira aqui a levada que ela pôs na canção.
domingo, 16 de agosto de 2009
Noites claras, às claras
Às vezes acordo no meio da noite e passeio silenciosamente pela casa adormecida. Com as luzes apagadas tomo cuidado para não acordar os móveis, as cortinas, o espelho, os livros na estante, os quadros.
A foto no porta retrato descansa de seu sorriso e também dorme... Nem sei se consegue me ver de sua moldura envolta em sombras, em cima do aparador.
Apenas uma coisa me viu, o relógio que continua desperto em sua insônia eterna. Embora não consiga ver as horas, ouço o pulsar impaciente dos segundos a me avisar que o futuro não demora.
A foto no porta retrato descansa de seu sorriso e também dorme... Nem sei se consegue me ver de sua moldura envolta em sombras, em cima do aparador.
Apenas uma coisa me viu, o relógio que continua desperto em sua insônia eterna. Embora não consiga ver as horas, ouço o pulsar impaciente dos segundos a me avisar que o futuro não demora.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Caixa de Supermercado
Quando trabalhei numa loja de cosméticos morria de rir pensando em como a pessoa iria usar os produtos que comprava.
É sério, a maioria das pessoas leva tudo trocado, misturado, pela metade. Cosmético é uma alquimia e elas esquecem disto. Esquecem e jogam na cestinha tudo quanto é coisa que está dentro de um frasco colorido e brilhante. Saem de lá felizes e saltitantes, loucas para chegarem em casa e ficarem, sinto muito, carecas.
Porém, se eu fosse caixa de supermercado, iria rir muito mais. Veja só, eu já vi gente passando no caixa ao lado ao que eu estava, com uma cestinha um tanto quanto inusitada. Havia - até onde pude ver - cola em bastão, papel higiênico, refrigerante de uva, farinha de trigo, pimentões verde e amarelo, e batom rosa fúcsia. O cliente era homem.
Os produtos não se combinavam e não são do tipo que fazem parte de uma compra rotineira, com exceção do papel higiênico. O que ele planejou com estes itens??
Se eu trabalhasse em um caixa de supermercado, iria me divertir imaginando o que aquele ser, que faz compras às 23h da noite de uma terça feira, vai fazer com o que comprou.
Não sei por que diabos, caixas de supermercado nos olham com aquela cara mau humorada se há tanto para rir.
É sério, a maioria das pessoas leva tudo trocado, misturado, pela metade. Cosmético é uma alquimia e elas esquecem disto. Esquecem e jogam na cestinha tudo quanto é coisa que está dentro de um frasco colorido e brilhante. Saem de lá felizes e saltitantes, loucas para chegarem em casa e ficarem, sinto muito, carecas.
Porém, se eu fosse caixa de supermercado, iria rir muito mais. Veja só, eu já vi gente passando no caixa ao lado ao que eu estava, com uma cestinha um tanto quanto inusitada. Havia - até onde pude ver - cola em bastão, papel higiênico, refrigerante de uva, farinha de trigo, pimentões verde e amarelo, e batom rosa fúcsia. O cliente era homem.
Os produtos não se combinavam e não são do tipo que fazem parte de uma compra rotineira, com exceção do papel higiênico. O que ele planejou com estes itens??
Se eu trabalhasse em um caixa de supermercado, iria me divertir imaginando o que aquele ser, que faz compras às 23h da noite de uma terça feira, vai fazer com o que comprou.
Não sei por que diabos, caixas de supermercado nos olham com aquela cara mau humorada se há tanto para rir.
terça-feira, 16 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
Mozart
" O teólogo protestante Karl Barth brincava dizendo que os anjos, quando estavam diante de Deus, tocavam Bach. Mas, em suas reuniões particulares, tocavam Mozart."
Rubem Alves acrescentou: E Deus escutava atrás da porta.
Rubem Alves acrescentou: E Deus escutava atrás da porta.
sábado, 23 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Utilização ampla e irrestrita do ctrl+alt+del
Computador não é o único a dar pau. O celular, por exemplo, com o uso diário e alguns tombos, apresenta problemas no visor e certas teclas, principalmente a do número 3, teima em desobedecer. Trava tudo! Solução: ctrl+alt+del nele.
Serio bom também para forno microondas, controle remoto de pilha fraca, mp3, caneta falhada e até tesoura que não corta.
Mas bom mesmo seria se homem viesse com ctrl+alt+del. O cara estava indo tão bem e, de repente, age de maneira inesperada, fica lento, parece que está com muitos programas abertos ao mesmo tempo. Ele só pode estar precisando de um ctrl+alt+del.
Serio bom também para forno microondas, controle remoto de pilha fraca, mp3, caneta falhada e até tesoura que não corta.
Mas bom mesmo seria se homem viesse com ctrl+alt+del. O cara estava indo tão bem e, de repente, age de maneira inesperada, fica lento, parece que está com muitos programas abertos ao mesmo tempo. Ele só pode estar precisando de um ctrl+alt+del.
terça-feira, 19 de maio de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
aí eu vou te contar
Me apunhalas com lenta delicadeza, deixando claro que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és...
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos
Porém, mesmo assim verifico que, tantas vezes triste, tantas vezes descontente, estou sempre alegre; Ignorando fatos tão persistentes.
*Obrigada ao espectador, mas lembre-se que "espectar" demais pode motivar uma decepção.
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos
Porém, mesmo assim verifico que, tantas vezes triste, tantas vezes descontente, estou sempre alegre; Ignorando fatos tão persistentes.
*Obrigada ao espectador, mas lembre-se que "espectar" demais pode motivar uma decepção.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Não é babela
Sabe aquela história de a gente só se sentir completamente feliz quando todos que amamos também estiverem assim como você? isso não é balela!
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Os dois estão convencidos de
que foi um sentimento súbito o que os juntou.
É bela uma certeza como essa,
Mas é mais bela a incerteza.
Acham que por não se terem conhecido antes
nunca houve nada entre eles.
E o que diriam as ruas, escadas, corredores,
Onde há muito podiam se cruzar?
Queria perguntar-lhes
Se não se lembram -
Na porta giratória talvez
Um dia cara a cara?
Em meio à multidão um 'com licença'?
No telefone a voz - engano?
- mas conheço sua resposta.
Não, não se lembram.
Ficariam surpreendidos de saber
Que já faz tempo
O acaso brincava com eles.
Não preparado ainda
a transformar-se para eles num destino,
aproximava-se e os afastava,
cortava-lhes o caminho
e, abafando a gargalhada,
saltava para o lado.
Houve sinais, signos, só que ilegíveis.
Talvez há três anos atrás
ou na terça-feira passada
certa folha voou
de um ombro para o outro?
Houve maçanetas e campainhas,
em que antes
já o toque se punha no toque.
As malas lado a lado no depósito de bagagem.
Talvez, numa certa noite, o mesmo sonho
Apagado imediatamente depois de acordar.
Pois cada princípio
é apenas uma continuação,
e o livro de eventos
sempre aberto no meio.
Wisława Szymborska
Lembra quando falamos disso? Encontros do acaso perdidos no espaço, sem nem imaginar o que havia por vir...
Tudo há de ser como é. Não, não falo de destino. Mas de momento, as coisas acontecem no seu melhor momento!
que foi um sentimento súbito o que os juntou.
É bela uma certeza como essa,
Mas é mais bela a incerteza.
Acham que por não se terem conhecido antes
nunca houve nada entre eles.
E o que diriam as ruas, escadas, corredores,
Onde há muito podiam se cruzar?
Queria perguntar-lhes
Se não se lembram -
Na porta giratória talvez
Um dia cara a cara?
Em meio à multidão um 'com licença'?
No telefone a voz - engano?
- mas conheço sua resposta.
Não, não se lembram.
Ficariam surpreendidos de saber
Que já faz tempo
O acaso brincava com eles.
Não preparado ainda
a transformar-se para eles num destino,
aproximava-se e os afastava,
cortava-lhes o caminho
e, abafando a gargalhada,
saltava para o lado.
Houve sinais, signos, só que ilegíveis.
Talvez há três anos atrás
ou na terça-feira passada
certa folha voou
de um ombro para o outro?
Houve maçanetas e campainhas,
em que antes
já o toque se punha no toque.
As malas lado a lado no depósito de bagagem.
Talvez, numa certa noite, o mesmo sonho
Apagado imediatamente depois de acordar.
Pois cada princípio
é apenas uma continuação,
e o livro de eventos
sempre aberto no meio.
Wisława Szymborska
Lembra quando falamos disso? Encontros do acaso perdidos no espaço, sem nem imaginar o que havia por vir...
Tudo há de ser como é. Não, não falo de destino. Mas de momento, as coisas acontecem no seu melhor momento!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Vocabulário
Ora bolas, meu amigo, o tempo passa
E a gente acaba ficando para trás.
As expressões do tempo do onça estão caindo.
Hoje ninguém mais arrebenta a boca do balão.
Macacos me mordam, até pouco tempo atrás
Todos eram serelepes e escreviam tudo tinindo.
Pelas barbas do profeta, é o fim da picada,
Hoje nada mais é supimpa como antes.
Se não visse com meus próprios olhos, não acreditava,
Mas hoje ouço cada coisa estapafúrdia que nem imagina.
Um colosso de gente falando dialetos estranhos.
Acho que vou tirar minhas barbas de molho.
Tenho saudades de mil novecentos e guaraná de rolha.
Dizem que é a tal da globalização que fez isso.
Vamos fugir para onde Judas perdeu as botas,
E lá ainda vamos ser o ó do borogodó.
Por obséquio, gostaria de falar só mais uma coisa:
Vai ser batata, você vai ver, e eu também quero ver
O que vai acontecer com nosso vocabulário agora.
Sem chorumelas, bacana, só podemos morrer de rir.
Davi Drummond
Pintassilgo - Poemas e Poesias - 2006
E a gente acaba ficando para trás.
As expressões do tempo do onça estão caindo.
Hoje ninguém mais arrebenta a boca do balão.
Macacos me mordam, até pouco tempo atrás
Todos eram serelepes e escreviam tudo tinindo.
Pelas barbas do profeta, é o fim da picada,
Hoje nada mais é supimpa como antes.
Se não visse com meus próprios olhos, não acreditava,
Mas hoje ouço cada coisa estapafúrdia que nem imagina.
Um colosso de gente falando dialetos estranhos.
Acho que vou tirar minhas barbas de molho.
Tenho saudades de mil novecentos e guaraná de rolha.
Dizem que é a tal da globalização que fez isso.
Vamos fugir para onde Judas perdeu as botas,
E lá ainda vamos ser o ó do borogodó.
Por obséquio, gostaria de falar só mais uma coisa:
Vai ser batata, você vai ver, e eu também quero ver
O que vai acontecer com nosso vocabulário agora.
Sem chorumelas, bacana, só podemos morrer de rir.
Davi Drummond
Pintassilgo - Poemas e Poesias - 2006
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Considerações
Aproximei-me tão mansamente
como deve acontecer,
apesar da dificuldade
em fazer as coisas assim
sutilmente.
Quase não fui percebida
de tão constrangida e temerosa.
Tratei de esmaecer meu tom de rosa
e só insunuar
em vez de convencer.
Não foi proveitoso manter
essa imagem tão pequena
e aí me rebelei:
foi então que escrevi,
compus
e me indispus
com os ditames da lei;
aquela que diz
que pra ser feliz
é preciso ser ralo e difuso
e qualquer abuso
lhe amassa o nariz.
Perdi o juízo.
Calçada de verão, 1989: p.89
Flora Figueiredo me desnudou parte da alma nestes melodiosos versos.
como deve acontecer,
apesar da dificuldade
em fazer as coisas assim
sutilmente.
Quase não fui percebida
de tão constrangida e temerosa.
Tratei de esmaecer meu tom de rosa
e só insunuar
em vez de convencer.
Não foi proveitoso manter
essa imagem tão pequena
e aí me rebelei:
foi então que escrevi,
compus
e me indispus
com os ditames da lei;
aquela que diz
que pra ser feliz
é preciso ser ralo e difuso
e qualquer abuso
lhe amassa o nariz.
Perdi o juízo.
Calçada de verão, 1989: p.89
Flora Figueiredo me desnudou parte da alma nestes melodiosos versos.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
" Estou sozinha se penso que tu existes.
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança..
E igualmente sozinha se tu não existes
De que me adiantam poemas ou narrativas
Buscando aquilo que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e nomenclaturas
naquelas não evidências da matemática pura?
É preciso conhecer com precisão para amar?
Não te conheço
Só sei que fico afastada de uns fios de conhecimento, se não tento
Estou sozinha, meu Deus, se te penso..."
Hilda Hilst, em Poemas malditos, gozozos e devotos
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança..
E igualmente sozinha se tu não existes
De que me adiantam poemas ou narrativas
Buscando aquilo que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e nomenclaturas
naquelas não evidências da matemática pura?
É preciso conhecer com precisão para amar?
Não te conheço
Só sei que fico afastada de uns fios de conhecimento, se não tento
Estou sozinha, meu Deus, se te penso..."
Hilda Hilst, em Poemas malditos, gozozos e devotos
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
Enrolei
Enganei e fui embora
Dói agora.
Pulsa aqui o ácido
ciúme líquido que corrói
jorrando no músculo cardíaco flácido
Sístole
Diástole
alternam-se tortuosamente também
com a corrosiva contração
Dói agora.
Pulsa aqui o ácido
ciúme líquido que corrói
jorrando no músculo cardíaco flácido
Sístole
Diástole
alternam-se tortuosamente também
com a corrosiva contração
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
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